O Nada alimenta-se do Tudo, mas o Tudo não precisa de Nada.
Vivemos rodeados de coisas e mais coisas, que prometem preencher o vazio que em nós habita. O consumismo não é apenas o ato de comprar, é também uma linguagem silenciosa que nos "grita", todos os dias "que falta sempre qualquer coisa na nossa vida". Pode ser uma peça de roupa, um par de sapatos, uns óculos de sol, um perfume, um relógio, pratos novos, jarras decorativas, um novo telemóvel, um micro-ondas... sempre um objeto qualquer, com a promessa de que vamos obter uma versão melhorada de nós mesmos, a troco do nosso dinheiro.
Compramos prestígio, status, identidade, autoestima, pertença... Pelo menos, assim o pensamos, na esperança de nos sentirmos mais e melhores. Mas o vazio é um bicho sedento, esfomeado que quer sempre mais e nunca se sacia. Desde que haja dinheiro, ele está sempre à espreita.
Há uma urgência que nos "sussurra" constantemente para consumirmos mais. Fala-nos diariamente através dos telemóveis, televisões, rádios, revistas e jornais, cartazes, nas montras, etc., nas promoções dos “últimos dias”, no “stock limitado”, nas "novidades". Como se não comprar fosse perder a oportunidade de uma vida. Como se não ter significasse não ser. Como se não comprar fizesse de nós menos do que aquilo que somos.
No meio deste ruído que está por todo o lado, raramente fazemos a pergunta que importa: "Preciso mesmo disto? Ou é só mais uma tentativa de sentir qualquer coisa diferente?" Será que o dinheiro está a ser um meio para ter algo que realmente me faz falta ou será que estou a usar o dinheiro como um fim para acariciar a minha autoestima?" Porque a autoestima vem de dentro e procura o genuíno e o autêntico, coisas que não estão à venda. A autoestima começa quando apreciamos o valor que temos e gostamos de nós próprios. Dizermos todos os dias que gostamos de nós próprios faz-nos bem, e melhor do que mais uma peça de vestuário pendurada no armário.
O consumismo vive da incapacidade de estarmos no vazio e querermos preenchê-lo constantemente. Porque o vazio assusta, e quem vende sabe isso. A resistência começa no saber escutar o impulso. e compreender de onde vem a necessidade… ou o vazio do desconforto. Porque há uma diferença grande entre ter coisas e ser inteiro.
E, muitas vezes, quanto mais acumulamos (exterior), mais nos afastamos do que realmente importa (interior) .

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